O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Registrado no CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

JORNAL DA ABREM DESTACA O NEVE



A nova edição do Jornal da ABREM (Associação Brasileira de Estudos Medievais) destaca atividades do grupo NEVE no segundo semestre de 2014: os novos colaboradores estrangeiros do grupo (pg. 3); lançamento de livro de Munir Ayoub (pg. 18); a realização do II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos na UFPB (pg. 15); a publicação das edições do boletim Notícias Asgardianas n. 7 e 8 (pg. 23).


A edição do Jornal pode ser acessada aqui.





TRAILER DA TERCEIRA TEMPORADA DA SÉRIE VIKINGS





segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ASTRONOMIA E MITOS CELESTES ANGLO-SAXÕES: UMA BIBLIOGRAFIA

 


ASTRONOMIA E MITOS CELESTES ANGLO-SAXÕES: UMA BIBLIOGRAFIA

Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

Nas recentes investigações envolvendo História da Astronomia e Etnoastronomia da Europa medieval, um dos campos temáticos mais pesquisados são os registros realizados na Inglaterra anglo-saxônica, especialmente as narrativas de Beda e a Crônica anglo-saxônica. Estes registros envolvem computo do tempo e calendário, observações de fenômenos atmosféricos (halos solares e lunares, auroras boreais, parélios solares e lunares) e astronômicos (eclipses solares e lunares, passagens de meteoros e cometas, conjunções entre planetas, Lua Sol e estrelas, ocultações de planetas e estrelas pela Lua, etc), associados ou não a mitologias celestes. Esses registros são extremamente importantes para diversos estudos, desde o conhecimento técnico e científico do período, assim como para uma melhor compreensão dos referenciais religiosos, míticos e imaginários da Europa Alto Medieval. E além disso, são importantes elementos comparativos para o estudo etnoastronômico de outras áreas próximas e do mesmo período, como a Escandinávia e o mundo báltico-eslavo.



Constelações de Argo e Cetus, realizada por um artista anglo-saxão no estilo da escola de Winchester (Harley 2506, f. 42, século X).


A seguir elencamos algumas publicações acadêmicas envolvendo o tema.



HARKE, Heinrich. Astronomical and atmospheric observations in the Anglo-Saxon Chronicle and Bede. The Antiquarian Astronomer (2012), Bd. 6, S. 34-43. Disponível aqui.


WILTON, Dave. Astronomy in anglo-Saxon England. Teach Astronomy, 2011. Disponível aqui.


BEARD, Daren. Astronomical references in the Anglo-Saxon Chronicles. Journal of the British Astronomical Association, Vol. 115, No. 5, p. 261. Disponível aqui.


BRAZELL, Owen. Astronomical observations in the Anglo-Saxon Chronicle.  Journal of the Royal Astronomical Society of Canada Newsletter, Vol. 78, 1984, pp. 56-57. Disponível aqui.


MARDON, E. & MARDON, A. The eleven observations of comets between 687 AD and 1114 AD recorded in the Anglo Saxon Chronicle. Asteroids, Comets, Meteors 1991, pp. 385-393. Disponível aqui.


KINDER, A. J. The progress of Astronomy in england - earliest times to 1558. Journal of the British Astronomical Association, vol.100, no.4, p.182-190. Disponível aqui.


JOHNSON, S. J. On the Eclipses mentioned in the Anglo-Saxon chronicles. Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, Vol. 33, p.402. Disponível aqui.


LYNN, W. T. Eclipses mentioned in the Anglo-Saxon Chronicle. The Observatory, Vol. 21, p. 206-207 (1898). Disponível aqui.

DALL´UOMO, Umberto. Latin terminology relating to aurorae, comets, meteors, and novae. Journal for the History of Astronomy, Vol. 11, 1980, pp. 10-27. Disponível aqui.


CHATFIELD, Christopher. The Dark Ages. The gallery of natural phenomena: the earth, the sea, the sky - and beyond, 2013. Disponível aqui.


WILTON, Dave. Astronomy in Anglo-Saxon England, 2013. Disponível aqui.




Registro de cometa ou fenômeno atmosférico, Omne Bonum, século XIII.




sábado, 20 de dezembro de 2014

CALL FOR PAPERS: MITO E MITOLOGIA NAS SOCIEDADES ANTIGAS E MEDIEVAIS



Call for Papers – 2015/1 – Revista Roda da Fortuna

Mito e Mitologia nas sociedades Antiga e Medieval

Há mais de três décadas, o historiador Paul Veyne intitulou de forma interrogativa um de seus livros sobre o mundo antigo: Les Grecs ont-ils cru à leurs mythes? Após estudar as fontes disponíveis, o autor chegou à conclusão de que, embora a partir do século VI a.C. os pensadores gregos não tenham mais interpretado os mitos de forma literal, estes não foram abandonados, pois carregavam uma importância pedagógica singular e contribuíam para “explicar o inexplicável”.[1]
De fato, por milênios as narrativas míticas criadas pelas civilizações ao redor do mundo buscaram esclarecer a origem do universo, transmitir valores e exemplos, construir identidades, etc. Durante a Idade Média, como demonstraram Jean-Claude Schmitt e Hilário Franco Júnior, o próprio cristianismo apresentava todas as facetas de uma mitologia, ainda que procurasse se preservar de ser encarado dessa forma, já que contava uma “história santa”.[2]
Atualmente, o termo “mito” é entendido tanto no sentido de “ficção” quanto naquele reconhecido especialmente entre os sociólogos, etnólogos e historiadores das religiões, de “tradição sagrada, revelação primordial, modelo exemplar”, como afirmou Mircea Eliade.[3] Com o surgimento da ciência mitológica, as apreciações valorativas foram ultrapassadas e os mitos deixaram de ser percebidos como histórias sem sentido, do contrário ninguém teria acreditado neles. Em razão de sua vigorosa resistência, o mito também pode ser acompanhado na “longa duração” (longue durée) histórica.
O presente Dossiê (2015/1) da Revista Roda da Fortuna tem o propósito de aglutinar as múltiplas manifestações do pensamento mítico nas sociedades antiga e medieval. Entre as possibilidades de pesquisa do mito podemos mencionar a análise de suas expressões (messiânica, escatológica, etiológica, hierofânica...), simbologias, permanências e atualizações na “longa duração”, etc.

Os prazos para o envio de artigos, resenhas, entrevistas e traduções são:
- envio de propostas: até 30/04/2015
- aceite dos trabalhos: junho de 2015
- publicação do Dossiê: julho de 2015
As propostas devem ser enviadas para o e-mail: revistarodadafortuna@gmail.com


Atenciosamente,
Guilherme Queiroz de Souza
Editor-Chefe (2015/1)


Referências:

[1] VEYNE, Paul. Les Grecs ont-ils cru à leurs mythes? Paris: Le Seuil, 1983.
[2] SCHMITT, Jean-Claude. Problèmes du mythe dans l’Occident médiéval. Razo. Cahiers du Centre d'Études Médiévales de Nice, vol. 8, 1988, p. 03-17; FRANCO JÚNIOR, Hilário. Cristianismo medieval e mitologia: reflexões sobre um problema historiográfico. In: A Eva Barbada. Ensaios de Mitologia Medieval. São Paulo: EDUSP, 1996, p. 45-70.
[3] ELIADE, Mircea. Myth and Reality. Prospect Heights, IL: Waveland Press, 1998, p. 01.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ALIMENTAÇÃO E BEBIDAS ENTRE OS VIKINGS


Com o sucesso da série Vikings do History Channel, questões envolvendo alimentação entre os nórdicos tornaram-se corriqueiras, mas existem poucos estudos em língua portuguesa sobre o tema. Com o intuito de divulgar pesquisas acadêmicas neste sentido, indicamos alguns artigos publicados sobre o tema da alimentação e uso de bebidas entre os vikings. Em seguida, republicamos um ensaio escrito pela professora Luciana de Campos no boletim Notícias Asgardianas em 2006 (primeira série, não mais disponível online). 


CAMPOS, Luciana de. Um banquete para Heimdall: uma análise da alimentação viking na Rígstula, História, imagem e narrativas 12, 2011. Disponível aqui. 

CAMPOS, Luciana de. Brindando aos deuses: representações de bebidas na Era Viking. Revista de História Comparada 6, 2012. Disponível aqui.

Comida na Era Viking: entrevista com o arqueólogo Daniel Serra, NEVE, 2016. Disponível aqui.




GASTRONOMIA MEDIEVAL E ENSINO: NOTAS SOBRE UM EXPERIMENTO NÓRDICO
                                                         Profa. Ms. Luciana de Campos


O ensino de História Medieval ainda é um grande desafio para os professores brasileiros, um período ainda repleto de estereótipos e preconceitos e para o qual existem poucos recursos didáticos e instrumentais (Macedo 2003). Por sua vez, alguns temas medievais, como o relativo aos povos nórdicos da Era Viking, encontram-se repletos de idéias falsas e fantasias propagadas pela cultura de massa que o ensino não consegue reverter (Langer 2002, 2006). Nossa proposta neste curto ensaio é apresentar uma idéia que pode oferecer um interessante respaldo para os educadores em geral, especialmente os do ensino fundamental.
A proposta básica é a utilização da denominada gastronomia histórica experimental (Gastroarqueologia), praticamente desconhecida em nosso país, que, ao contrário dos estudos eminentemente teóricos da História da Alimentação, trata de reproduzir os tipos de refeições realizadas no passado e que em sua maioria acabaram desaparecendo.
O experimento compõe-se de duas etapas, uma teórica e introdutória e outra prática. Na primeira, o professor contextualiza dentro do conteúdo em que está trabalhando (de preferência o recorte específico sobre Idade Média) algumas questões relacionadas diretamente com o cotidiano – a diferença de comportamento alimentar entre as categorias sociais entre cidade e campo, para cada região e período da Europa; as variações de modelos alimentares, de sabores e valores. Para esta etapa, existem diversas obras acadêmicas e paradidáticas publicadas no Brasil que poderão auxiliar o educador (especialmente Pastoreau 1989 e D’haucourt 1994).
Numa segunda etapa (ou aula), parte-se diretamente para a elaboração do experimento gastronômico. Como geralmente as escolas e colégios possuem cozinhas, é possível efetuar este experimento com todo o equipamento e espaço necessário, mas dependendo do tamanho da classe será necessário dividir por turmas – um número máximo de 15 pessoas para cada aula prática, facilitando o acompanhamento dos alunos. Vários tipos de refeições e comidas podem ser utilizados como demonstração, mas devido a sua facilidade de elaboração e aceitação contemporânea de sabor, preferimos o pão medieval. Dos vários tipos, exemplificaremos um dos padrões utilizados na Escandinávia da Era Viking (séculos IX a XI d.C., denominado Bröd (pronuncia-se: bród), testado pela pesquisadora Luciana de Campos em 2005:

Ingredientes: 
2 copos de farinha comum; 1 copo de farinha integral; 1 colher de sopa fermento seco; 1 colher de sopa rasa de sal; 1 copo de grãos comestíveis; 2 copos de água morna.

Preparação: 
1 - Pôr toda a farinha em uma bacia com o sal e misturá-la. Por o fermento seco na água morna até que ele derreta. Adicioná-lo então à farinha na bacia. Os Vikings usavam ervilhas verdes secas, mas podiam substituir por alguns outros, como grãos de girassol – caso não consiga, pode utilizar gergelim ou ambos. Coloque a metade do grão na bacia e misture. 
2 –  Agora derrame dentro a água com fermento e misture com uma colher de pau até homogeneizar. Nesta etapa, amasse normalmente como a massa de pão tradicional. 
3 –  Quando a massa de pão estiver bem amassada transfira-a para uma assadeira untada com manteiga. 
4 – Deixe o pão crescer em um lugar quente até que triplique de tamanho.  Quando o pão estiver crescido, ajuste o forno em torno de 190° e deixe-o assar por aproximadamente 1 hora. Esta receita rende quatro pães. Sugerimos aqueles que desejam utilizá-la com os alunos que a testem primeiro em casa fazendo meia receita. 

É interessante explicar aos alunos durante a confecção do pão que os ingredientes utilizados hoje diferem e muito dos utilizados pelos nórdicos ou qualquer outro povo da Idade Média. A farinha de trigo, por exemplo, era feita em casa. Cada família possuía um moinho de pedra e os grãos de trigo eram colocados ali e moídos pelas mulheres. Cada casa produzia a farinha que consumia. O processo de cozimento do pão também é diferente já que os pães medievais eram assados em fornos de barro à lenha e não nos fornos de fogões a gás modernos. Esse experimento proporciona aos alunos e também aos professores descobrirem novas texturas e sabores que, mesmo distantes temporalmente podem oferecer uma oportunidade única de se conhecer empiricamente os hábitos de povos do passado.  Durante o processo de elaboração junto aos alunos, o professor também pode discutir algumas questões relacionadas a esse alimento, um dos mais antigos do mundo. Sua história e seu uso durante a Idade Média (baseando-se em Montanari, 2002, p. 42-43).
O experimento pode aproximar com muito mais eficiência os alunos da Idade Média do que simplesmente a leitura de manuais. Ao sentir o sabor do alimento, pode-se contrastar o tipo de vida que temos na atualidade com o passado. Também pode servir de reflexão para que os alunos percebam que alguns dos povos mais estereotipados da História – os escandinavos da Era Viking – eram bem humanos e possuíam uma alimentação extremamente rica e balanceada, algo bem distante das imagens fantasiosas do cinema e literatura (onde comem somente alimentos crus como “bárbaros selvagens ou comendo somente carnes”). Esta prática pode ser realizada não somente como complemento didático da sala de aula, mas também como atividade em gincanas, feiras, festas e mostras educativas. 
As aulas experimentais também podem incentivar os alunos a terem uma apreciação maior para com a Idade Média – um período instigante e bem interessante, constituído não somente por torneios de cavalaria e batalhas, mas também por uma vida cotidiana muitas vezes bem simples. A gastronomia experimental também pode ser efetuada para outros períodos igualmente importantes – como Roma, Egito antigo ou Brasil colonial.



Referências bibliográficas:


CAMPOS, Luciana de. Gastronomia histórica: um jantar Viking em Florianópolis. Necult, 06/08/2006.

D’HAUCOURT, Geneviève. A alimentação. In: A vida na Idade Média. São Paulo: Martins Fontes, 1994, p. 40-46.

LANGER, Johnni. Os Vikings e o estereótipo do bárbaro no ensino de História. História & Ensino v. 8, UEL, 2002, p. 85-98. Disponível aqui.

MACEDO, José Rivair. Repensando a Idade Média no ensino de História. In: KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2003.

MONTANARI, Massimo. Alimentação. Dicionário temático do Ocidente Medieval, vol. I. São Paulo: Edusc, 2002, p. 35-46.

PASTOREAU, Michel. “Si est tens de la table metre”. In: No tempo dos cavaleiros da Távola Redonda. São Paulo: Cia das Letras/Círculo do Livro, 1989, p. 73-86.




quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

NOVA EDIÇÃO DO NA: MITO E LITERATURA (ANAIS DO II CEVE)

Os Anais do II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos (II CEVE) já estão disponíveis pelo site do Academia.Edu, edição especial do boletim Notícias Asgardianas: