O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Registrado no CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

LANÇAMENTO - FÉ NÓRDICA: MITO E RELIGIÃO NA ESCANDINÁVIA MEDIEVAL

 
 
A Editora da UFPB acaba de publicar o livro Fé Nórdica: mito e religião na Escandinávia Medieval, de autoria do professor Johnni Langer. Trata-se de uma coletânea de alguns de seus ensaios sobre o tema da religiosidade nórdica pré-cristã, especialmente envolvendo estudos sobre mitos celestes. O livro pode ser adquirido em contato com a editora, através dos e-mails: atendimento.editora.ufpb@gmail.com e editora@ufpb.br ou através do site da Editora e página do Facebook
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Jól: o solstício de inverno nórdico


 
JÓL (Verbete do Dicionário de Mitologia Nórdica)

Festival pagão comemorado durante o solstício de inverno na Escandinávia. Segundo Rudolf Simek, a coincidência temporal do festival fez com que os nomes para o mês de dezembro e janeiro fossem semelhantes: fruma jiuleis (gótico do século IV; giuli, anglo-saxão do século VIII) e também semelhantes ao nórdico antigo ýlir (em dinamarquês e em nórdico antigo jól; em sueco jul; em anglo-saxão geohol).

Para Régis Boyer os ritos cerimoniais envolvem a imolação de animais engordados para esse fim, oferecidos para as divindades da fertilidade-fecundidade, as dises ou aos elfos. O Jól nesse sentido também é denominado dísablot ou álfablót. O rito durava treze dias e era de importância fundamental para as regiões nórdicas durante o inverno – particularmente rude e longo, onde a vida deveria ser simbolicamente renovada. O Jól foi recuperado pelo cristianismo e substituído por Noël. A árvore de natal contemporânea remonta ao julgran nórdico (sueco: pinheiro do jul; norueguês: juletre), cuja origem seria a arvore cósmica de Yggdrasill, símbolo da vida e da fecundidade. Na tradição natalina, os bodes remeteriam a Thor, a árvore a Odin, o varrão a Freyr. James Frazer pontuou a celebrações envolvendo o sacrifício do varrão durante o solstício. Ainda segundo Boyer, outras reminiscências sugerem que o Jól foi uma grande festa sacrificial dos mortos ou do clã: teria sido o momento da passagem da horda selvagem de Odin. O banquete que tradicionalmente se executa nesta ocasião era destinado a criar laços entre os vivos e os mortos. Também neste momento seria celebrado o célebre til árs ok fridar (para um ano fecundo e para a paz, segundo o Gulathingslog 7), que fazia parte das prerrogativas do rei nórdico.
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Para o referencial de Rudolf Simek, o festival de Jól era essencialmente religioso e com um caráter de sacrifício para a fertilidade. Mas também Odin seria associado com o Jól, tendo o epíteto de Jólnir. Ainda segundo este pesquisador alemão, a associação entre culto aos mortos e veneração aos ancestrais durante o Jól é incerta, talvez provinda de sacrifícios do inverno durante a Idade do Bronze europeia.

As fontes islandesas cristãs descrevem o Yule pagão no referencial das celebrações cristãs que eles conheciam. Especialmente nas sagas, o Jól seria uma época para a atividade dos draugar. O draugr é um morto vivo que adquire vida após ter sido enterrado em um monte funerário e é um tema comum nas sagas islandesas (Eyrbyggja saga 63; Grettis saga 35). Para se conseguir sua morte definitiva, seria necessário o corte de sua cabeça e a queima do corpo. Por outro lado, as conexões com a caçada selvagem de Odin são relatadas no folclore. E o fato da bebedeira de Jól ser sinônimo para a celebração da festa, demonstra sua ligação com o antigo beber sacrificial. Em Snorri Sturluson o festival pagão é entendido completamente como o sacrifício de solstício de inverno, que contém a festa comunal. De outro lado, algumas fontes nórdicas não generalizam o Jól como uma festa comunal (e é neste referencial que Thomas DuBois o descreve, como um ritual limitado a certa família e alguns membros selecionados, presidido por uma mulher).

Terry Gunnel aponta a relação entre a palavra leikr (dramatização, ritual, jogos) com a época do Jól e em especial, com um ritual dedicado ao deus Freyr (Freys leikr, que também é um kenning para batalha na Ragnar saga Loðbrókar). Se de um lado temos o deus Freyr conectado à fertilidade e a guerra, o termo leikr também pode ser aplicado ao ritual, a atividade dramática e a jogos de crianças. Durante o Jól acontecem vários tipos de jogos (incluindo a glíma e o knattleir). James Frazer ainda recorda as celebrações envolvendo grandes festivais do fogo durante o Jól, sobrevivendo até os tempos modernos.

Johnni Langer

Ver também: Álfablót; Berserkir; Blót; Caçada selvagem; Paganismo nórdico.

Referências Bibliográficas:

BOYER, Régis. Jól: solstice d'hiver au grand Nord. Louvain 64, 1995, pp. 27-30.

FRAZER, James. The midwinter fire. The golden bough. New York: Dover, 2002, pp. 461-462, 636.

GUNNELL, Terry. Ritual leikar and drama. The Origins of Drama in Scandinavia. Cambridge: D. S. Brewer, 1995, pp. 24-36.

SIMEK, Rudolf. Yule. Dictionary of Northern Mythology. London: D.S. Brewer, 2007, pp. 379-380.

 
FONTE: DICIONÁRIO DE MITOLOGIA NÓRDICA: SÍMBOLOS, MITOS E RITOS. SÃO PAULO: HEDRA, 2015.
 
 

sábado, 17 de dezembro de 2016

V COLÓQUIO DE ESTUDOS VIKINGS, 3-6/10/2017


Já estão abertas as inscrições para ouvintes (gratuitas) e comunicações orais (25,00) no V Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos (CEVE), a ser realizado na UFPB de 3 a 6 de outubro de 2017. A programação do evento também já está disponível, contando com pesquisadores de várias regiões do Brasil para analisar o simbolismo animal na Escandinávia, medievo e religiosidades em geral.

O evento pode ser acessado clicando aqui.









segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Bibliografia para a seleção de 2017 do PPGCR da UFPB

 
Está disponível a bibliografia para a seleção de Mestrado e Doutorado em Ciências das Religiões da UFPB. O edital da seleção será publicado no início de 2017. É uma oportunidade única para os interessados em desenvolver projeto de pesquisa em religiosidade nórdica medieval, mitologia nórdica, história da magia na Escandinávia e mitologia comparada.
 
O edital da bibliografia se encontra aqui.
 
 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Mariano Campo: novo colaborador estrangeiro do NEVE


 
Mariano González Campo no monumento Sverd i fjell em Stavanger, Noruega.
 


Mariano González Campo é o mais recente colaborador estrangeiro do NEVE, registrado no diretório de grupos do CNPQ. Nascido em Murcia (Espanha). É um dos mais produtivos pesquisadores de temas nórdicos medievais em língua hispânica, licenciado em filosofia pela Universidade de Murcia, bacharel em filologia islandesa pela Universidade da Islândia e Doutor em tradução e interpretação pela Universidade de Valladolid com a tese Literaturay ficción en la Islandia tardomedieval: Estudio comparativo de dos versiones dela Blómstrvallasaga según los manuscritos AM 522 4º y AM 523 4º y edición bilingüe (islandés-castellano) con traducción desde una perspectiva antropológico literária.
 
O pesquisador é o organizador de um blog dedicado à cultura nórdica em espanhol, El Cuaderno del Feroés. e uma página do facebook: Skandiberia
Além das traduções das sagas ao espanhol, Mariano Gonzaléz Campo dedica-se ao estudo das riddarasögur, literatura arturiana nórdica e a comparação entre literatura hispânica medieval e nórdica. Publicou na revista Hermeneus n. 12, 2010 o estudo Bibliographia normanno-arturica, textos y estúdios sobre la traducción y adaptación de la literatura artúrica en la escandinavia medieval.
  
 Mariano Campo em Hali, Islândia.

Principais livros publicados:

- Baladas épicas feroesas (Antología bilingüe con CD), Miraguano, Madrid, 2008.

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- Saga de Teodorico de Verona, La Esfera de los Libros, Madrid, 2010.

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- Historia de Campo Florido. Blómstrvalla saga, trad. M. González Campo. Disbabelia, Universidad de Valladolid, Valladolid, 2010.
HISTORIA DE CAMPO FLORIDO (BLÓMSTRVALLA SAGA)
- Historia de los gotlandeses (Guta saga), trad. M. González Campo, IPOC Italian, Milán, 2008.
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- Saga de Bósi, trad. M. González Campo, Miraguano Ediciones, Madrid, 2014.
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- Saga de Hervör, trad. M. González Campo, Miraguano Ediciones, Madrid, 2003.
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- Saga de los feroeses, trad. M. González Campo, Miraguano Ediciones, Madrid, 2008.
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- Sagas artúricas, trad. M. González Campo, Alianza Editorial, Madrid, 2011.
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 - Saga de Óláfr El Tranquilo - Mariano González Campo, Dossiê: Sagas islandesas, revista Brathair 9(1), 2009. Disponívelaqui.
- Diccionario feroés-español/Føroysk-sponsk orðabók. Editorial Sprotin, 2016.
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- Gramática Básica de Noruego Integral. Editum, 2012.


 
 

domingo, 4 de dezembro de 2016

Artigo analisa o simbolismo dos bodes de Thor

 
A mais recente edição do periódico acadêmico Diversidade Religiosa traz um artigo sobre o simbolismo dos animais associados ao mais famoso deus nórdico: Thor, o Senhor dos Bodes: um estudo de simbologia animal, escrito por Leandro Vilar Oliveira, doutorando em Ciências das Religiões pela UFPB e membro do NEVE.
 
Resumo: Entre alguns dos epítetos que o deus Thor recebia, estava o de ser o “Senhor dos Bodes”. Os mitos contam que o deus do trovão viajava pelo céu numa carroça puxada por dois bodes. Os mitos narram que outras divindades nórdicas também estavam relacionadas a animais, os quais possuíam um papel importante não apenas na mitologia, mas também na religião e costumes daquela sociedade. A proposta desse artigo foi analisar por quais motivos o deus Thor tinha como animais simbólicos os bodes. Quais características tornavam estes animais dignos de representarem valores simbólicos do deus do trovão nórdico? Para isso, realizou-se um estudo de mitologia e de simbologia, a fim de identificar elementos tanto o âmbito escandinavo como também de outras tradições mitológicas e religiosas, nas quais cabras e bodes estavam associados a trovões e raios.
 
O artigo está disponível clicando aqui.