O grupo interinstitucional NEVE tem como principal objetivo o estudo e a divulgação da História e cultura da Escandinávia Medieval, em especial da Era Viking, por meio de reuniões, organização de eventos, publicações e divulgações em periódicos e internet. Conta com a colaboração de professores, pós-graduandos e graduandos de diversas universidades brasileiras, além de colaboradores estrangeiros. Filiado ao The Northern Women’s Art Collaborative (Universidade de Brown, EUA) e
à ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Vinculado ao Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba. Registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ. Contato: neveufpb@yahoo.com.br


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Haglaz e a divulgação da Era Viking

 


Dando sequência à nossa sistematização sobre o recriacionismo brasileiro, hoje trazemos um dos mais empolgantes grupos dedicados ao mundo nórdico no Estado do Rio de Janeiro: Haglaz. Eles nos contam um pouco de sua trajetória e experiência, fonte de inspiração para os muitos grupos que recentemente vem se formando em nosso país.
 
 

Membros efetivos:
- Alberto Dória, 37 anos, Aeronauta, Bacharel em Ciências Aeronáuticas
- Fabiane Fontes, Comandante de embarcações, Técnica em Navegação
- Bernardo Lepore, 33 anos, Advogado, Bacharel em Direito
 
- Gabriel Domingues, 33 anos, Eletricista, Técnico
- Giovane Tomaz, 26 anos, Engenheiro de Software
- Marcelo Casariego, 30 anos, Fotógrafo/Marceneiro
- Marcelo Segall, 30 anos, Biólogo, Mestre em Biologia
- Roberta Baptista, 37 anos, Analista Financeiro, Bacharel em Relações Internacionais
Útlandr (Aspirantes a membro):
- Dyego Meireles, 26 anos, Estudante de Ciências Contábeis
- Frederico Cavadas, 29 anos, Técnico de Som
- Gisele Souza, 28 anos, Professora, Bacharel e Licenciatura em História
 
 

1. Quando e como se formou o grupo e quais foram os motivos de sua criação.
Parte de nós teve um primeiro contato com recriação histórica quando em 2013 o grupo paulista Hednir fez uma apresentação na Oenach na Tailtiu, que é uma festa carioca de temática celta que já é tradicional e acaba por ser um ponto de encontro de pessoas interessadas em recriação histórica. Inicialmente o Hednir nos ofereceu apoio para começarmos o projeto aqui no Rio.
Começamos inicialmente com um ênfase em lutas e esgrima medieval, mas depois de pouco tempo fomos dando importância cada vez maior à recriação histórica, que hoje é a atividade principal do grupo.


2. De que maneira o grupo realiza suas atividades e pesquisas sobre o recriacionismo nórdico?
 
A nossa abordagem é bastante ampla. Temos interesse em vestimentas, luta, culinária, marcenaria, artesanato, poesia e outros aspectos da cultura da Escandinávia medieval. Fora os nossos trabalhos mais coletivos, os integrantes acabam tendo aptidões e interesses bastante específicos e a gente enxerga o grupo também como uma rede de apoio para a concretização dos projetos dos membros.
Atualmente os membros se encontram pessoalmente pelo menos duas vezes por mês para atividades como: grupos de estudo, treinos de luta ou oficinas para a produção de itens baseados em achados arqueológicos e descrições históricas.
Fazemos as nossas pesquisas através da leitura de livros e artigos, tanto de natureza mais acadêmica quanto material produzido por outros recriadores históricos. Temos também contato com historiadores, arqueólogos e também com outros grupos de recriação brasileiros e estrangeiros. Iniciativas como a do Museu de História da Suécia de disponibilizar online informações, fotografias e desenhos de achados arqueológicos também são muito importantes ao nos dar acesso a fontes primárias de informação.
Ao reproduzir itens, tomamos cuidado em considerar suas dimensões, material, datação e provável processo de fabricação e usar de forma crítica informações vindas de sagas, tapeçarias e iluminuras. No caso de achados históricos que só existem na forma de fragmentos, prezamos por consultar a opinião de especialistas. A busca por fidelidade histórica do que produzimos e divulgamos é um valor importante para o grupo e ao expor nosso material, procuramos ter cuidado em deixar explícito ao público eventuais adaptações que temos que fazer em algumas peças.



3. Quais as maiores dificuldades em divulgar a cultura nórdica da Era Viking no Brasil e particularmente, no Rio de Janeiro? 
Uma das dificuldades é a disparidade entre o nosso clima e o clima da Escandinávia. Alguns materiais históricos para se fazer vestimentas podem ser muito quentes para o clima local, como por exemplo lã ou peles. Acabamos por priorizar roupas de materiais mais leves, como o linho e mesmo estas podem ser quentes demais em boa parte do ano aqui no Rio de Janeiro. 
Esta questão do clima e a óbvia separação geográfica entre Brasil e a Escandinávia também dificulta o acesso a alguns materiais, o que fica bem evidente em relação a ingredientes para culinária. A distância da Escandinávia também dificulta nosso acesso a museus, acervos e outras fontes de dados primários.
Outra dificuldade é em relação a custos. Dependendo de sua escolha, o "kit" completo de um recriador pode custar milhares de reais. O metro da lã ou do linho puro podem ser bem caros, assim como itens em metal, como lanças, elmos, espadas e armaduras. A importação destes itens é especialmente complicada, tanto pelo câmbio que não nos favorece quanto pelas taxas alfandegárias. Felizmente já há no Brasil alguns ferreiros confeccionando peças baseados em achados históricos.

 

4. Como vocês percebem o futuro do recriacionismo nórdico em nosso país? 
Já há vários grupos espalhados pelo Brasil país e a atividade da recriação histórica vem se fortalecendo nos últimos anos. Queremos no futuro, a união dos grupos para desenvolver atividades e criar uma identidade nacional de recriação histórica nórdica que esteja no nível de ser reconhecida mundialmente.
Esperamos que em um futuro nem tão distante, já ocorra por aqui festivais grandes e voltados a recriadores, como acontece na Europa.

 
Links do Haglaz: